quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Boa notícia

No meio desta indefinição de não saber quem vai ser Governo, destas reuniões à esquerda e à direita, da incógnita se se deve manter a tradição portuguesa de quem ganha as eleições é que deve formar Governo, ou se é preferível a tradição nórdica de estabelecimento de coligações e entendimentos de forma a constituir uma maioria parlamentar e consequentemente Governo, sendo igualmente uma forma democrática e legítima de constituição de Governo. No meio destas incertezas, nas quais todos nos reveremos tendo em conta a crise que nos afecta a todos, mas apesar de tudo penso que estas incertezas representam também desafios novos para a sociedade e a democracia portuguesa, a que se terá de ajustar e evoluir. Apesar das incertezas, admito no entanto uma preferência para a segunda opção, penso que tal significa e dá um sinal de uma Democracia já mais amadurecida, talvez implique uma maior aptidão e empenho dos deputados eleitos na procura de convergências e consensos, exigindo mais destes, tornando desta forma o Parlamento mais activo e dinâmico, ao contrário do que tem sido. A juntar a isto calhou entretanto os candidatos à Presidência da República anunciarem as suas candidaturas, e perante os discursos de apresentação dos ditos, parece que também aqui a disputa vai ser renhida ao contrário do que provavelmente se pensava. A boa notícia destas notícias, é que dá a sensação que houve, para já, um regresso da Política (Definição de Política no Priberam: 1. Ciência do governo das nações) e do debate de ideias à sociedade portuguesa, algo há já muito tempo ausente, que pode contribuir para que os cidadãos se re-aproximarem à Causa Pública e dum despertar da Cidadania. É que a Política implica isso mesmo, confronto de ideias e ideologias democráticas no que concerne à ciência do governo da nação, só com esse confronto é que se consegue progredir, e foi isso que o Centro ou o denominado "arco da governação" tirou à sociedade portuguesa estes anos, o confronto de ideias e alternativas contribuindo para um vazio ideológico e sentimento de "pensamento único" e "não há alternativa" que os cidadãos intuem. A boa notícia é mesmo ter a sensação que há alternativas, e que o "arco da governação" se estende e alarga à Esquerda e à Direita, e mesmo ao Centro, ou pelo menos para outros "Centros" que não este Centro absoluto em que temos vivido. É que em Política, no que concerne à ciência do governo das nações, não há e não pode haver um Centro neutro e não ideológico, ou como muitos cidadãos gostam, de independente, porque a Política é dependente de consensos entre ideias e ideologias para progredir no governo da nação. A este pluralismo político é importante também ter um pluralismo da comunicação social, veículo de informação e formação dos Cidadãos, só assim é que é possível obter Cidadania que por sua vez sustenta a Democracia.

Leituras complementares: Uma solução estável
                                          Há muitos modos de formar Governo... e nem sempre com o vencedor das eleições


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