Enquanto se assiste ao arrastar da situação grega, em Portugal vai haver eleições este ano e em breve começarão a chover as promessas eleitorais e a campanhas para definir e estabelecer as diferenças políticas e ideológicas entre os diferentes partidos. Há no entanto um assunto que é frequentemente esquecido pela comunicação social e que os próprios partidos não gostam muito de ser abordados por ele. Foi votado um Tratado Orçamental que na prática institucionaliza que as políticas recessivas de austeridade sejam permanentes na Europa, e ilegaliza o keynesianismo que no fundo foi a "cola" com que se uniu a Europa. Uma vez que tal Tratado foi assinado, é possível efectuar outras políticas? Como contornar este Tratado de forma a implementar políticas não austeritárias e não recessivas? Impede ou não políticas alternativas à austeridade? Ou é preciso re-inventar uma nova "cola" para o actual desnorte europeu? Há quem diga que este Tratado é fundamentalmente iníquo e inaplicável, e há vozes que dizem que o que se passa com a Grécia é o fracasso rotundo do projecto europeu. São perguntas sem resposta que temo não sejam esclarecidas na campanha eleitoral que se avizinha, mas em que há todo o interesse em serem esclarecidas para os cidadãos. Com a indefinição sobre o futuro da Grécia, situação que em caso de saída deste país do Euro também não está contemplada ou prevista nos próprios tratados europeus, o que levanta uma bruma de dúvidas e interrogações sobre o futuro. Já há quem defina Portugal como uma bomba-relógio a explodir a seguir à Grécia. Não sei se re-descobrir Keynes ainda vai a tempo e/ou chegará para resolver alguma coisa da situação actual, estou mais apostado em que o mais provável é ter que se re-inventar uma nova "cola" na Europa, isto para evitar que esta se torne (ainda mais) numa zona de terra queimada pela austeridade e pela crise.
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