A propósito deste post foi-me perguntado se eu estava a defender a privatização da Natureza. Depois de o reler admito que subsista essa dúvida pois não está claro o texto, mas de facto não foi nem é essa a minha intenção. Até me parece que seja esse o maior perigo no que toca a atribuir um preço à Natureza, ou seja aquilo que pode ter uma boa intenção no início pode degenerar no seu contrário e ter impactos ainda mais nefastos. O risco de criar de mercados da biodiversidade, retalhando e dividindo a Natureza de forma a criar e dividir créditos de biodiversidade e dos recursos naturais para os colocar nos Mercados, pode levar ao contrário daquilo que era o objectivo inicial. Numa lógica de Mercado e de obtenção de lucros, é um pequeno passo em que uma aparente boa intenção no início leve à especulação financeira apostando e jogando nos Mercados com a extinção de determinada(s) espécie(s). Aliás, não foi por causa de especulação imobiliária que a crise em que vivemos começou em 2008? A mesma lógica pode-se aplicar a estes mercados de biodiversidade e dos recursos naturais. O que foi defendido no referido post foi tornar os Mercados mais transparentes e honestos, obrigando-os a dizer a verdade ecológica através do verdadeiro e justo preço das mercadorias e produtos que consumimos. Essa verdade ecológica, segundo Lester Brown, obter-se-ia com a reestruturação do sistema tributário, reduzindo os impostos sobre o trabalho e aumentando-os sobre actividades ambientalmente nocivas. Atribuir um preço à Natureza é um assunto que precisa de um debate profundo e sustentando, pois o perigo de tal ter consequências contrárias daquilo que inicialmente era suposto defender é elevado. É preciso muito cuidado atribuir a lógica e avaliação dos Mercados à proteção ambiental e da Natureza, pois nos Mercados tudo tem um preço, mas ter um preço não tem o mesmo significado de ter valor.

Sem comentários:
Enviar um comentário